terça-feira, 7 de maio de 2019

Pelas esquinas


A visão é mesmo adorável

O caminhar ao lado inestimável

O raro toque

A fala apressada, embaralhada,

Os gestos nervosos

O coração acelerado

A comida a arrefecer

A visão que sacia

O olhar que escapa da mira do outro

Leve

Breve

Me leve  

Na pele o calor do ar que sai da boca perfeita

Bem feita

Cumplicidade

O tempo para

O universo segue embebido da beleza eterna do momento

Zenaide Galvão 26/03/2011

Intuição


Ainda menina sentiu que assim seria

Leu a energia do encontro

Não pode e não quis evitar

Tu me relaxas,

Alimenta o meu sono,

Sacia a minha fome,

Surpreende-me,

Faz-me agir de modo estranho,

Mostro meu rosto e nele a verdade

E você me faz esquecer tudo

Endireita o caminho torto,

Alucina

Faz renascer o desassossego de uma vida sem vida

Ela brinca, roda, viaja entre as sensações e renasce a cada olhar

Ele sorri um sorriso novo

Sorriso livre

O que fiz para te conhecer?

O que eu fiz para lhe conhecer?

Há caminhos que buscamos na eternidade

Há meia hora no meio da hora

Horas que voam e param

No toque que transcende uma vida

Que transgride o universo

E traduz a emoção eternizada na pele.

Zenaide Galvão 25/03/2011

Você

Então

Há coisas que não se pode explicar

Encontros

Toque, sabor, desejo

Energia... alimenta corpo e alma

Para tempo

Bom você no meu caminho

Zenaide Galvão 25/03/2011

Imbróglio (ou mania de querer saber)


Esta certa!

Quem está certa? A mulher da piada ou eu?

Curiosidade!

Tentado a não responder...

Quais conseqüências de cada resposta?

Apreensão!

Fim da amizade?

Não!

Falha na comunicação!

Protocolado na data!

Décimo terceiro dia do mês de julho do ano de dois mil e dez!


Zenaide Galvão 13/07/2010

Dor


Dor que vem de fora e vem de dentro

Finca e fica, sai e irradia

Corroe lentamente os olhos, a pele, a alma...

Montes de pedras alucinadas querendo rolar

Penedos imponentes teimando em ficar

Montanha com topo em neve e pés de ovelhas a pastar

Saras, Marias, Palmiras, fortalezas moldadas pelo frio, olhar curioso, doçura de mãos ásperas e roupas escuras

Para onde foram os braços fortes que acalentam nas noites duras?

Sai e se esvai...

Volta e fica!


Zenaide Galvão  06/03/2011

Despedidas e Encontros


Os queridos são mesmo assim

Se vão...

Por algum motivo, por qualquer motivo ou mesmo sem, sim

Um dia qualquer de dezembro sela ou apressa a partida, razão

O corpo alma, o universo, eu, você, emoção

Queríamos apenas transcender o encontro para transcender a saudade, ilusão

Queríamos apenas lembrar o que foi doce, sensação

Conversas, cumplicidade, sorrisos, risos, olhares, percepção

Olhar metafísico, metafísico abraço, paixão

Então...

Beijo, Boa semana, Boa noite, Bons sonhos, doce menino, menino doce, perdão.

Zenaide Galvão 06/03/2011

All

Perfeitamente imperfeitos

Entre BGs e Robim
Perfeitamente imperfeitos
Ela
Poderosa, independente, decidida, romântica, brava.
Simpatia!
Cheia de mania!
Ela
Forte, aventureira, prestativa, vaidosa, autoritária.
Encanto!
Ceticismo!
Ela
Bondosa, criativa, corajosa, sensual, dura.
Graça!
Teimosia!
Ele
Inteligente, generoso, audacioso, sonhador, duro.
Alegria!
Cheio de agonia!
Imperfeitamente perfeitos
Pura Sintonia!

Zenaide Galvão 03/07/2010 

Privilégio


Cheiro de terra molhada

Ouça!

Coloque o polegar na ponta da mangueira,

Regule a água, devagar, cuidado, senão estraga as plantas

Pés atolados no barro vermelho

Cheiro de chocolate

Liga o esguicho

Corre, brinca, molha a roupa

Leva bronca

Ri o riso da felicidade pura

Pura meninice

Ouça!

É o som da risada leve de quem abraça árvore

Lembranças de menina.

Zenaide Galvão 02/07/2010

Encontros e Despedidas


Beijo!

Boa semana!

Bom sono!

Bons sonhos...

Não! não é despedida,

Acabei de lhe encontrar!

Não se preocupe gentil rapaz.

Os queridos são mesmo assim...

Despedem-se ao chegar

Pois se quiserem ou tiverem que ir

Vão sem medo,

Sem culpa

Vão!

Ficam na memória!

Beijo.

Zenaide Galvão 28/06/2010

PAZ


Enxergar e entender a beleza do vazio

Olhar o céu vazio de azul e enxergar as nuvens negras  de chuva e perceber o encanto de suas formas, na fruidez de se desmanchar em água

Olhar a orquídea que calmamente se prepara durante um ano inteiro para a perfeição dos mais belos tons de roxo em formato de flor que vão se abrindo aos poucos para a intensa felicidade dos olhos que as observam repletos de um brilho intenso de pura paz

Olhar a planta na varanda e perceber a luta, em paz, com o vento e com o frio para desabrochar uma única, tímida e linda flor cercada por diversos galhos estrategicamente  vazios para lhe proteger

Olhar o mar em dias vazios de sol, sentir a brisa fresca, a opacidade da água, o encanto do som intenso, quase que ensurdecedor, como que para desviar a atenção sobre a ausência do brilho celeste

Olhar a casa vazia e sentir a paz ouvindo o som doce da água que cai na fonte e o barulho que escapa pelas paredes

Olhar a casa vazia e perceber a tranquilidade das roupas sobre o encosto da cadeira, da cama por fazer, dos pares de sapatos se deleitando sobre o tapete, do relógio esquecido

Olhar a casa vazia e sem pressa apreciar a paisagem através da varanda, observar os transeuntes, o movimento na casa do padre e na casa dos moços, os carros ao longe se aproximando, a montanha cinza, os aviões a pousar  e  as casas empilhadas, saboreando lentamente o néctar da carmeneire

Sentir as entranhas e perceber quantas coisas cabem no espaço vazio, perceber que é possível preencher com coisas belas, mas sem pressa apreciando a própria alma em flor

Ouvir ao longe as palavras

E ele disse: eu não te amo

E ela disse: e quem lhe disse que eu te amo?

É apenas o espaço vazio explorando sensações e pacientemente esperando para ser preenchido com suavidade e com mais beleza, uma beleza gentil que não é a sua

Feito a orquídea que gentilmente responde com belas flores às mensagens lançadas pelas mãos que escrevem, pelos doces olhares, pela verdade, pela gentileza, pela bondade

Copo vazio, moldura sem foto, alma em paz.

Zenaide Galvão 05/09/2009 

Simples


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Saudade


Quando o poeta canta que com o tempo a saudade se esvai,
Não conhece esse amor
Estranho ser seu tempo mal gasto
És meu melhor tempo
Tempo que não tenho
Sou pior que o tempo
Ele não volta
Eu sequer fui
Invejo o tempo
Ele não pode parar
Eu posso...