"Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou, calado ficarei, Pois que a língua que falo é de outra raça". J. Saramago
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terça-feira, 24 de novembro de 2020
terça-feira, 7 de maio de 2019
Pelas esquinas
A visão é mesmo adorável
O caminhar ao lado inestimável
O raro toque
A fala apressada, embaralhada,
Os gestos nervosos
O coração acelerado
A comida a arrefecer
A visão que sacia
O olhar que escapa da mira do outro
Leve
Breve
Me leve
Na pele o calor do ar que sai da boca
perfeita
Bem feita
Cumplicidade
O tempo para
O universo segue embebido da beleza
eterna do momento
Zenaide Galvão 26/03/2011
Intuição
Ainda menina sentiu que assim seria
Leu a energia do encontro
Não pode e não quis evitar
Tu me relaxas,
Alimenta o meu sono,
Sacia a minha fome,
Surpreende-me,
Faz-me agir de modo estranho,
Mostro meu rosto e nele a verdade
E você me faz esquecer tudo
Endireita o caminho torto,
Alucina
Faz renascer o desassossego de uma
vida sem vida
Ela brinca, roda, viaja entre as
sensações e renasce a cada olhar
Ele sorri um sorriso novo
Sorriso livre
O que fiz para te conhecer?
O que eu fiz para lhe conhecer?
Há caminhos que buscamos na
eternidade
Há meia hora no meio da hora
Horas que voam e param
No toque que transcende uma vida
Que transgride o universo
E traduz a emoção eternizada na pele.
Zenaide Galvão 25/03/2011
Você
Então
Há coisas que não se pode explicar
Encontros
Toque, sabor, desejo
Energia... alimenta corpo e alma
Para tempo
Zenaide Galvão 25/03/2011
Imbróglio (ou mania de querer saber)
Esta certa!
Quem está
certa? A mulher da piada ou eu?
Curiosidade!
Tentado a
não responder...
Quais
conseqüências de cada resposta?
Apreensão!
Fim da
amizade?
Não!
Falha na
comunicação!
Protocolado
na data!
Décimo
terceiro dia do mês de julho do ano de dois mil e dez!
Zenaide Galvão 13/07/2010
Dor
Dor que vem
de fora e vem de dentro
Finca e
fica, sai e irradia
Corroe
lentamente os olhos, a pele, a alma...
Montes de
pedras alucinadas querendo rolar
Penedos imponentes
teimando em ficar
Montanha com
topo em neve e pés de ovelhas a pastar
Saras, Marias,
Palmiras, fortalezas moldadas pelo frio, olhar curioso, doçura de mãos ásperas
e roupas escuras
Para onde
foram os braços fortes que acalentam nas noites duras?
Sai e se
esvai...
Volta e
fica!
Zenaide Galvão 06/03/2011
Despedidas e Encontros
Os queridos
são mesmo assim
Se vão...
Por algum
motivo, por qualquer motivo ou mesmo sem, sim
Um dia
qualquer de dezembro sela ou apressa a partida, razão
O corpo
alma, o universo, eu, você, emoção
Queríamos
apenas transcender o encontro para transcender a saudade, ilusão
Queríamos
apenas lembrar o que foi doce, sensação
Conversas,
cumplicidade, sorrisos, risos, olhares, percepção
Olhar metafísico,
metafísico abraço, paixão
Então...
Beijo, Boa
semana, Boa noite, Bons sonhos, doce menino, menino doce, perdão.
Zenaide Galvão 06/03/2011
Perfeitamente imperfeitos
Entre BGs e RobimPerfeitamente imperfeitosElaPoderosa, independente, decidida, romântica, brava.Simpatia!Cheia de mania!ElaForte, aventureira, prestativa, vaidosa, autoritária.Encanto!Ceticismo!ElaBondosa, criativa, corajosa, sensual, dura.Graça!Teimosia!EleInteligente, generoso, audacioso, sonhador, duro.Alegria!Cheio de agonia!Imperfeitamente perfeitosPura Sintonia!
Zenaide Galvão 03/07/2010
Privilégio
Cheiro de terra molhada
Ouça!
Coloque o polegar na ponta da mangueira,
Regule a água, devagar, cuidado, senão estraga as plantas
Pés atolados no barro vermelho
Cheiro de chocolate
Liga o esguicho
Corre, brinca, molha a roupa
Leva bronca
Ri o riso da felicidade pura
Pura meninice
Ouça!
É o som da risada leve de quem abraça árvore
Zenaide Galvão 02/07/2010
Encontros e Despedidas
Beijo!
Boa semana!
Bom sono!
Bons sonhos...
Não! não é despedida,
Acabei de lhe encontrar!
Não se preocupe gentil rapaz.
Os queridos são mesmo assim...
Despedem-se ao chegar
Pois se quiserem ou tiverem que ir
Vão sem medo,
Sem culpa
Vão!
Ficam na memória!
Beijo.
Zenaide Galvão 28/06/2010
PAZ
Enxergar e entender a beleza do vazio
Olhar o céu vazio de azul e enxergar as nuvens negras de chuva e perceber o encanto de suas formas, na fruidez de se desmanchar em água
Olhar a orquídea que calmamente se prepara durante um ano inteiro para a perfeição dos mais belos tons de roxo em formato de flor que vão se abrindo aos poucos para a intensa felicidade dos olhos que as observam repletos de um brilho intenso de pura paz
Olhar a planta na varanda e perceber a luta, em paz, com o vento e com o frio para desabrochar uma única, tímida e linda flor cercada por diversos galhos estrategicamente vazios para lhe proteger
Olhar o mar em dias vazios de sol, sentir a brisa fresca, a opacidade da água, o encanto do som intenso, quase que ensurdecedor, como que para desviar a atenção sobre a ausência do brilho celeste
Olhar a casa vazia e sentir a paz ouvindo o som doce da água que cai na fonte e o barulho que escapa pelas paredes
Olhar a casa vazia e perceber a tranquilidade das roupas sobre o encosto da cadeira, da cama por fazer, dos pares de sapatos se deleitando sobre o tapete, do relógio esquecido
Olhar a casa vazia e sem pressa apreciar a paisagem através da varanda, observar os transeuntes, o movimento na casa do padre e na casa dos moços, os carros ao longe se aproximando, a montanha cinza, os aviões a pousar e as casas empilhadas, saboreando lentamente o néctar da carmeneire
Sentir as entranhas e perceber quantas coisas cabem no espaço vazio, perceber que é possível preencher com coisas belas, mas sem pressa apreciando a própria alma em flor
Ouvir ao longe as palavras
E ele disse: eu não te amo
E ela disse: e quem lhe disse que eu te amo?
É apenas o espaço vazio explorando sensações e pacientemente esperando para ser preenchido com suavidade e com mais beleza, uma beleza gentil que não é a sua
Feito a orquídea que gentilmente responde com belas flores às mensagens lançadas pelas mãos que escrevem, pelos doces olhares, pela verdade, pela gentileza, pela bondade
Copo vazio, moldura sem foto, alma em paz.
Zenaide Galvão 05/09/2009
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